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Morte pela boca

SEU CORPO


publicado em 08/04/2012 às 00h00.
Morte pela boca

Ignorado, o câncer bucal é tão fatal no País quanto outros cânceres "famosos". Correm maior risco, os fumantes e os beberrões



Raul Andreucci

raul.andreucci@folhauniversal.com.br


Quando falamos de câncer, logo associamos a algumas partes do corpo: pulmão, estômago, mama, próstata. É natural que isso ocorra, pois estão entre os cinco com maior estimativa de casos no País, segundo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ninguém lembra do preocupante 6º colocado: o câncer de boca.


Mais de 14 mil novos casos devem surgir em 2012, segundo o Inca. A maioria devido ao fumo e à bebida. "O cigarro já tem substâncias suficientes para provocar o câncer. A bebida alcoólica facilita a ação destes agentes cancerígenos", diz Antonio José Gonçalves, professor titular da Santa Casa e especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. Há outros fatores, como a falta de higiene, um simples não escovar de dentes, e próteses dentárias mal colocadas e mantidas. "Mas não são determinantes como os outros", diz André Del Negro, médico-assistente da Unicamp e especialista em cirurgia de cabeça e pescoço.


A doença é mais comum em pessoas acima dos 40 anos. E causa mais mortes entre homens: 5.136 contra 1.394 (números de 2009 do Inca). A grande dificuldade é a conscientização. "As pessoas não examinam a boca. O câncer pode lembrar uma afta, mas dura mais do que 10 dias. A ferida dói, e vai aumentando", diz Gonçalves. Descoberto cedo, a chance de cura é de 90%. No terceiro e quarto estágios, a chance cai para 40%. Sem falar nas mutilações, que podem se transformar em cortes de pedaços da língua ou mandíbula. Uma cirurgia pode resolver, mas geralmente precisa vir seguida de quimio ou radioterapia.


Como fazer o autoexame


Diante do espelho procure feridas, sangramentos, manchas brancas, escuras ou vermelhas. Apalpe com o dedo indicador, em busca de caroços, endurecimentos e áreas dormentes


Folha Universal

Mesmo com histórico de tragédias, Brasil não investe em prevenção

Mesmo com histórico de tragédias, Brasil não investe em prevenção
 
Prevenção
Mesmo com histórico de tragédias, Brasil não investe em prevenção. Imagem: Teresa Maia/DP/D.A Press/Arquivo

Imagem: Teresa Maia/DP/D.A Press/Arquivo

RIO - A Comissão Especial de Medidas Preventivas e Saneadoras de Catástrofes Climáticas da Câmara dos Deputados concluiu relatório que aponta para um histórico de tragédias naturais no Brasil e mostra que pouco se fez para evitar a ação da natureza. Entre os anos de 2000 e 2010, pelo menos duas mil pessoas morreram em acidentes climáticos. Somente em 2010 foram comunicados à Secretaria Nacional de Defesa Civil ocorrências em 883 municípios. Somado ao número de mortos registrado na enxurrada de 2011 que devastou áreas de municípios da Região Serrana do Rio, o total de vítimas fatais sobe para quase três mil.
A falta de investimentos em prevenção citada no relatório da comissão é ratificada por estudo divulgado nesta terça-feira pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). A pesquisa mostra uma disparidade entre as verbas aplicadas no socorro às cidades e as usadas na prevenção. Segundo a CNM, de 2006 a 2011 o governo federal gastou R$ 745 milhões para prevenir acidentes, contra R$ 6,3 bilhões no socorro.
- O governo praticamente não destina nada para a prevenção. Quem é contemplado com ações de socorro enfrenta a burocracia. No primeiro ano recebe uns 8% da verba anunciada, no ano seguinte, 20%, e depois o que falta cai em restos a pagar e não aparece nunca mais - reclama o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Rio é o estado com maior número de ocorrências
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Piauí, Bahia e Rio Grande do Sul são os sete estados que mais sofreram de 2000 a 2010, segundo o relatório da Câmara. As tragédias prejudicaram, direta ou indiretamente, 10,4 milhões de pessoas. No estado do Rio, as catástrofes foram agravadas pelo "incremento da construção civil e a reocupação de áreas de risco". Os deputados afirmam que, na serra fluminense, 85% das áreas atingidas por deslizamentos em 2011 "foram desmatadas ou alteradas pela ação do homem".
O texto, entregue no final de dezembro ao presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), sugere três medidas para serem votadas no Congresso: uma emenda à Constituição (PEC) que cria o Fundo Nacional de Proteção Civil - substituiria o atual fundo para catástrofes -; o desenvolvimento do Estatuto de Proteção Civil, que define responsabilidades de municípios, estados e União; e apoio técnico e financeiro por parte do governo federal para instalação de centros de operações de desastres.
- Hoje os recursos são para socorrer os municípios. Com o novo fundo será possível prevenir. Existe um estudo internacional que aponta que para cada dólar aplicado em prevenção, sete são economizados. É preciso cobrar os planos diretores e evitar tragédias, como a do ano passado. Nova Friburgo, por exemplo, ainda não se recuperou. Há duas mil pessoas à espera do aluguel social - afirma o relator da comissão, deputado Glauber Braga (PSB-RJ).
Membro da comissão que produziu o relatório, o líder da bancada fluminense na Câmara Hugo Leal (PSC-RJ) pediu à presidência da Câmara urgência na votação das propostas. Segundo ele, o Rio esbarra na falta de liberação de verbas para a prevenção de catástrofes. Embora aprovadas emendas, o governo não liberaria as verbas.
- As pessoas têm que entender que não podemos mais tratar os casos como tragédias. Hoje são rotina. O Rio tem projetos, há casos de cidades da Baixada Fluminense que tiveram verbas aprovadas no ano passado, mas que não chegaram até hoje.




Da Agência O Globo

Temporada de chuvas põe em teste sistemas de prevenção

Temporada de chuvas põe em teste sistemas de prevenção

14 de dezembro de 2011 07h34 atualizado às 08h34

 Alessandra prefere permanecer em sua residência no Morro dos Cabritos mesmo com riscos. Foto: BBC Brasil
Alessandra prefere permanecer em sua residência no Morro dos Cabritos mesmo com riscos
Foto: BBC Brasil

Paulo Cabral
Enchentes e deslizamentos já são parte integrante da temporada de chuvas no Brasil. A quase um ano da maior tragédia climática do País, as autoridades dizem, no entanto, estarem melhor preparadas para lidar com situações de emergências.
Às vésperas de mais um verão chuvoso, serviços de Defesa Civil trabalham para minimizar o poder inevitável dos temporais, sobretudo, para reduzir o número de mortes. Em janeiro deste ano, mais de mil pessoas morreram na região serrana do Rio de Janeiro. A tragédia serviu como alerta para algumas administrações municipais, como a prefeitura do Rio, que instalou sirenes em 66 comunidades cariocas.
"Nosso principal objetivo é salvar vidas e por isso a cidade do Rio de Janeiro investiu em um moderno radar meteorológico, para nos alertar da chegada de chuva, e na instalação de sirenes para que a população possa ser alertada e busque abrigo", explicou o subsecretário de Defesa Civil do município, Márcio Motta. As sirenes foram instaladas em áreas classificadas como de alto risco de deslizamento. Elas são acionadas três horas antes da chegada de fortes tempestades.
Equipamentos similares também foram colocados em cidades da região serrana do Rio, bem como bairros da cidade de São Paulo sujeitos a enchentes, como a Freguesia do Ó, na zona norte da capital paulista.
Moradia
Embora tenha havido significativo investimento nos sistemas de alarme, o problema fundamental permanece: milhões de brasileiros ainda vivem em áreas perigosas como morros sujeitos a deslizamentos ou vales onde inundações são inevitáveis.

O especialista em gestão de riscos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Moacyr Duarte, diz que não há dados confiáveis sobre o número exato dos brasileiros que vivem em situação de risco como essa. "O que a gente percebe quando vê imagens desses desastres, como nas enchentes em Santa Catarina ou nos deslizamentos na região serrana do Rio, é que há muitas ocupações em lugar de risco evidente. Ou então intervenções humanas que criam riscos, como cortar barrancos de qualquer jeito", observa.
Segundo Duarte, "existe uma preocupação muito grande e correta hoje em dia com a avaliação dos impactos que um empreendimento pode ter na natureza". "Mas ainda não nos acostumamos a olhar com mais atenção para os impactos da natureza sobre os empreendimentos", observa.
Morros cariocas
Na cidade do Rio de Janeiro, grande parte do risco está nas comunidades construídas nos morros em condições precárias e sem planejamento. Em abril de 2010, quase 70 pessoas morreram em deslizamentos nas favelas da cidade.

"Um levantamento da GeoRio indicou que 117 comunidades no Rio de Janeiro incluem áreas de alto risco, onde vivem 18 mil famílias. Retirar as pessoas desses locais ou fazer obras que os tornem seguros é um trabalho essencial, mas não é uma coisa que possa ser feita num passe de mágica", diz Márcio Motta. "Por isso nossa prioridade agora é salvar vidas."
A auxiliar de enfermagem Alessandra de Oliveira, 31 anos, mora em uma dessas 18 mil residências que passam todos os verões sob a constante ameaça de deslizamentos. No verão passado, a ameaça tornou-se realidade: numa madrugada de chuva intensa um pedaço do barranco no Morro dos Cabritos, na zona sul, deslizou arrastando pedras e plantas. Por sorte, a parede do quarto em que ela dormia resistiu e ninguém saiu ferido.
A prefeitura interditou a casa de Alessandra, mas ela continua vivendo no local, sob tensão frequente, sempre que nuvens escuras cobrem o Morro dos Cabritos. "Mesmo que tenha casa do governo para gente, vai ser muito longe, nos subúrbios da cidade. Então a gente prefere ficar aqui mesmo", diz ela, que vive em Copacabana e prefere continuar morando próximo do trabalho.
"Meu sonho mesmo seria que o governo fizesse um muro de contenção no barranco para que a gente pudesse viver em segurança aqui mesmo", diz.
Pesquisa
A fim de minizar o risco de pessoas como Alessandra, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) trabalha na combinação de dados climáticos com informações detalhadas do terreno de modo a estabelecer quais são as áreas de maior risco nas cidades.

"Nosso objetivo é poder dizer às autoridades com mais segurança o que pode acontecer caso uma chuva forte ocorra em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras grandes cidades brasileiras. O que precisamos é conhecer a realidade pluviométrica (o volume de chuvas) de cada área para combinar com dados sobre o solo, como ocupação humana e estabilidade, para saber direito qual o tamanho do problema", explica o diretor-geral do Inpe, Gilberto Câmara.
Neste ano o Inpe começou a operar com plena capacidade um supercomputador para análises climáticas - batizado de Tupã - para evitar que o governo e a população sejam pegos de supresa por desastres naturais. "Acredito que esse ano já será possível sentir uma significativa evolução na qualidade dos dados metereológicos em relação ao que tínhamos no ano passado", diz Câmara.
BBC Brasil
 
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